O poder do movimento na gestação e no parto


Tempo de leitura: 08 minutos! 😉


As gestantes chegam até você com medo do parto normal e buscam auxílio emocional e informacional para o parto?

As gestantes que você acompanha acreditam mais no que os médicos, a família, os amigos dizem do que no próprio potencial como gestante?

Você sente que apenas conversar a respeito do cenário obstétrico, da importância de se ter um plano de parto e fazer escolhas mais conscientes às vezes pode não ser suficiente para despertar nessas gestantes a confiança em si mesmas tão necessária para o parto?

Então talvez esse post tenha uma reflexão que possa lhe interessar! Continue lendo para descobrir! 😉


O medo é uma barragem
O medo é uma barragem que impede o fluir livre das águas. Movimento é vida, movimento é essencial no trabalho de parto!

Você certamente enfrenta diariamente o desafiador chamado de gestantes que desejam muito ter um parto o mais natural possível, porém sentem medo.

Já parou para pensar que o medo, feito a barragem em um rio, pode ter sido alicerçado em tempos remotos – traumas de antepassados, do próprio nascimento – ou recentes – histórias de amigas, dos próprios partos vividos anteriormente? Diariamente, essa barragem é erguida e solidificada, mito em cima de mito, pela cultura vigente que encara o corpo feminino como sendo defectivo e carente de ajustes que devem vir do exterior, nunca de dentro.

Provavelmente  você já pensou sim! E aliás deve ser um dos motivos que a fez entrar nesse mundo da humanização da assistência à saúde da mulher. Por isso, você carrega em sua bolsa de doula, entre outros itens, a conversa franca, o abraço, o encorajamento e o incentivo à construção de um plano de parto, auxiliando na conscientização a respeito dessa barragem.

No entanto, algumas vezes, essas ferramentas não são suficientes para superar o medo!

DESPERTANDO A POTÊNCIA DAS ÁGUAS

O caminho para  um parto positivo
O caminho para um desfecho positivo de parto está dentro da própria mulher. As doulas caminham ao lado, auxiliando a descortinar o caminho!

A potência de desconstrução da barragem está no próprio rio, no corpo e na mente da mulher. Desvelar essa potência à mulher pode ser a tarefa mais desafiadora, mas certamente será a principal responsável por desfechos positivos nos partos e nascimentos, independente de como aconteçam (de forma natural, com medicamentos ou via cesariana).

E aí você me pergunta: “Como fazer isso, se na maioria das vezes as gestantes chegam até mim ao final da gestação?”. Mesmo se for desde o início da gravidez, essa barragem pode ser tão sólida e grandiosa que nos sentimos incapazes de sequer mostrar a mulher que ela está lá.

Experimente ir aos poucos então. Convide-a a adentrar essa floresta fechada e dar um passeio, caminhando com ela até o seu rio interior. Lembre-a de que ela pode tatear suas margens.

Os ossinhos de sua pelve, por exemplo. Como eles se comportam estando verticalizados? E na horizontal? O que será essa dor que ela vem sentindo ali na lombar? Será que tem a ver com a posição do bebê? O espaço ali é suficiente para passar um corpinho? Quais posições e movimentos favorecem os encaixes e a descida do bebê?

Sentindo como o corpo se comporta com determinados movimentos, a mulher vai entendendo como eles são importantes e necessários para uma gestação e um trabalho de parto tranquilos. Ela poderá se lembrar, nos momentos de desconfortos que o importante é experimentar movimentos e posições, tornando-se uma observadora gentil de si mesma que, com base no próprio sentir, busca o conforto que melhor lhe cabe.

Assim será bem mais fácil decidir sobre os rumos de seu parto e o nascimento de seu bebê, construindo um plano de parto, decidindo pelas melhores alternativas (locais, equipes de parto e acompanhantes de parto) que cumprirão o papel de prestar uma assistência respeitosa ao seu momento, estando ao lado, sendo guiados por ela, apenas guiando quando preciso.

Parece pouco… mas pense novamente… tem algo mais empoderador do que conhecer a si mesma? Seus limites e potenciais?

OBSERVANDO A POTÊNCIA DAS ÁGUAS

cachoeira poderosa.jpg
Assistir uma mulher parindo é o mesmo que observar uma cachoeira, potente, grandiosa e incontrolável!

Cada atendimento será único e quem ditará o ritmo dessa caminhada será a própria mulher. Às doulas cabe a preciosa tarefa de estar ao lado, descortinando os caminhos, apoiando e observando a mulher se aproximar aos poucos desse medo, entendendo passo a passo a importância do empoderamento e se dando conta que suas águas são profundas, potentes e perfeitamente capazes de sobrepujar a barragem ou mesmo destruí-la!

E que espetáculo será observar, contração após contração, a superação, o

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Ficou com vontade de saber mais sobre o Poder do Movimento no Parto? Fale Conosco para levar uma oficina do Ventre Materno para sua cidade!

reconhecimento do próprio poder. O apequenamento do medo, nem que seja por alguns momentos, afinal, algumas mulheres vão precisar de mais tempo para superar situações enraizadas, medos, inseguranças. Porém, todas terão a lembrança desse momento transformador, em que seu rio foi potente, superou barragens e desaguou em uma incontrolável cachoeira.

E tudo começou apenas com um convite para despertar do movimento em seu corpo a partir de um leve tatear em suas margens!


Raquel Nantes raquel doula2Tavares é editora do blog da Empório Materno (resquícios de seu passado de jornalista). Idealizadora e fundadora da Casa Materna. Doula e Educadora Perinatal formada em 2014 pelo GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), em processo de certificação para se tornar Instrutora do Método GentleBirth®.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Taylla disse:

    Maravilhoso texto, inspirador! Gratidão.

    Curtido por 1 pessoa

Muito obrigada pelo seu comentário! Responderemos o mais breve possível! :)

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