Amamentação: a importância da rede de apoio


Tempo de leitura: 5 minutos ! 😉


Anualmente, a primeira semana de agosto é reservada para comemorar a SMAM – Semana Mundial da Amamentação. Nesse ano, o tema central é ‘Aleitamento materno. Presente saudável, futuro sustentável’, em referência aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com metas a serem alcançadas até 2030. A SMAM, portanto, faz alusão aos benefícios da amamentação no longo prazo, tanto para a saúde da mãe e do bebê, quanto para o equilíbrio ambiental e social.

#SMAM2018

Uma passadinha pela redes sociais consultando a #smam2018 e nos deparamos com uma enxurrada de lindas imagens de mulheres comemorando orgulhosas a árdua vitória de amamentarem prolongadamente seus bebês! E então nos damos conta da importância de datas como essas para dar visibilidade a uma realidade que por vezes é ignorada pela maioria da população.

O período médio de amamentação exclusiva no Brasil ainda não passa de 54 dias. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a amamentação exclusiva (sem precisar nem mesmo de água ou chá para complementar) nos seis primeiros meses do bebê e até dois anos ou mais após a introdução alimentar, sem estabelecer um limite para encerrar o aleitamento materno.

Mas por que é tão difícil amamentar exclusiva e prolongadamente nossos bebês aqui no Brasil? Qual é o motivo de tanta comemoração?

A rede já existe, mas…

… ela está estruturada para desencorajar a mulher! Na primeira dificuldade, o pediatra já receita uma fórmula. A mãe/a sogra/a amiga questionam porquê o bebê chora tanto (“Será que você tem leite?”; “Ela está fazendo o peito de chupeta!”;”Seu marido não pode te ajudar, ele levanta cedo para trabalhar!”). A propaganda afirma que a fórmula é idêntica ao leite materno. A empresa só permite quatro meses de licença maternidade e não estrutura nenhuma forma de acolher a mulher que escolhe amamentar o bebê após o retorno ao trabalho.

Por isso que “amamentar é 90% determinação e 10% produção de leite”*. E a determinação brota no terreno fértil da informação de qualidade, florescendo em empoderamento.

A mulher que vai se tornar mãe precisa de informação para entender e internalizar a importância da amamentação exclusiva e prolongada. Afinal, como é possível defender algo em que não acreditamos ou que não entendemos?13925405_1402046716478367_1303825400755639170_n

De posse da informação digerida e transformada em conhecimento e empoderamento, a mulher necessita de apoio empático, incentivador e igualmente bem informado. Em suma, ela necessita formar a sua própria rede de apoio, que a fortaleça e blinde sua perseverança dos “assaltos” daquela outra rede que comentamos acima.

Essa rede (formada pelo companheiro ou companheira, amigos e familiares) pode se organizar e revezar para manter a casa limpa e organizada, além de prover alimentação saudável para a família para que ela possa se dedicar exclusivamente à amamentação ao menos no primeiro mês após o parto. As amigas podem ficar à disposição para ouvi-la desabafar o que estiver sentindo, sem julgamentos.

E se possível, durante a gestação, a mulher precisa conversar com o empregador/empresa para que se preparem para o seu retorno após a licença maternidade,  para flexibilizar seus horários de trabalho e providenciar um local tranquilo, arejado e com acento confortável para o momento da ordenha do leite, com acesso uma geladeira para o correto armazenamento do mesmo.

É imprescindível uma consultoria de amamentação sempre que necessário, seja em um banco de leite, seja particular. O ideal é que ela aconteça antes de o bebê nascer. A mulher precisa estar ciente de que a forma como o bebê nasce influencia no sucesso da amamentação, como o período pós-parto é desafiador física e emocionalmente. Ela precisa saber quais as transformações que irão ocorrer em seu corpo e no do bebê nesse período e o que ela deve fazer para evitar a pega incorreta do bebê e as consequentes  fissuras mamárias, ingurgitamento (mamas endurecidas, “empedradas”), entre tantas outras questões.

Onde buscar apoio

Rede Brasileira de Banco de Leite Humano:  reúne uma lista nacional de bancos de leite e postos de coleta de leite humano.

Grupo Virtual de Amamentação:  grupo virtual no Facebook que agrega informação e apoio, por meio das trocas frutíferas entre as mulheres que vivenciam, na prática, toda sorte de experiências em torno da amamentação (amamentação de bebê com alergias alimentares, amamentação com diferentes tipos de mamas, relactação, gêmeos/multíplos, adoção etc.)

Grupos presenciais de apoio à gestação, parto, pós-parto e amamentação: Não vamos colocar uma lista aqui, pois ficaria muito extensa. Mas uma breve busca no Google usando essas palavras-chave e você certamente encontrará um local de apoio próximo à você.

Consultoras em amamentação: acredite, elas são as profissionais melhor indicadas para lhe auxiliar em qualquer dificuldade referente à amamentação, pois são treinadas para entender o que pode estar além da pega incorreta do bebê ou da “falta” de leite, por exemplo. Certamente o grupo de apoio da sua cidade saberá informar sobre as consultoras em atividade próximas à você.


Crédito da imagem em destaque: Ivette Even – Breastfeending Goddessess

* Frase de autoria da querida Nádia Vieira, consultora em amamentação na Materno Amor.

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